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Encantatto - Memórias em Scrapbook ♥

Se existe alguém que eu coloco no mesmo patamar que a Agatha Christie, na arte e escrever um suspense e nos surpreender no final, esse alguém é Harlan Coben.

Não existe um único livro dele que tenha me decepcionado. Uma escrita que faz a gente sentir que faz parte da cena descrita, resumindo, ele é incrível e eu queria que todos os livros dele se tornassem filmes, assim como fizeram com o Dan Brown!

Minha meta literária para 2017 é ler ao menos um livro por mês, não é uma meta ambiciosa, e acho que pode ser facilmente cumprida, e abri 2017 com essa leitura incrível:


Sinopse: "Jake Fisher e Natalie Avery se conheceram no verão. 

Eles estavam em retiros diferentes, porém próximos um do outro. O dele era para escritores; o dela, para artistas. Eles se apaixonaram e, juntos, viveram os melhores meses de suas vidas.


E foi por isso que Jake não entendeu quando Natalie decidiu romper com ele e se casar com Todd, um ex-namorado. 


No dia do casamento, ela pediu a Jake que os deixasse em paz e nunca mais voltasse a procurá-la. Jake tentou esconder seu coração partido dedicando-se integralmente à carreira de professor universitário e assim manteve sua promessa... durante seis anos. 


Ao ver o obituário de Todd, Jake não resiste e resolve se reaproximar de Natalie. 


No enterro, em vez de sua amada, encontra uma viúva diferente e logo descobre que o casamento de Natalie e Todd não passou de uma farsa. 


Agora ele está decidido a ir atrás dela, esteja onde estiver, mas não imagina os perigos que envolvem procurar uma pessoa que não quer ser encontrada. 


Em Seis anos depois Harlan Coben usa todo o seu talento para criar uma trama sensacional sobre um amor perdido e os segredos que ele esconde."

ATENÇÃO: 
Contém Spoilers

Todo livro de Harlan Coben é uma surpresa, e esse não seria diferente, mesmo com muitos personagens, a compreensão é fácil, não é necessário ficar pensando, pensando e pensando pra entender, mas lá vou eu. 

Em seis anos tanta coisa pode acontecer, né? E é o que acontece com Jake Fisher, seis anos após prometer para sua amada Natalie, após vê-la se casar, que ele jamais a procuraria novamente, Jake quebra sua promessa ao ver no obituário da faculdade onde dá aula, o nome do marido de Natalie, e decide ir atrás dela, já que ela não é mais casada, e coleguinhas, é aí, bem aí que toda loucura começa na vida desse homem!

Entre pensamentos sarcásticos e muita ansiedade em ver como Natalie está, ele decide ir ao enterro do falecido, e qual a surpresa ao ver que a viúva não é a amada? Muita surpresa!! Até eu fiquei surpresa, pq né, era pra ela esta lá, mas não estava. A viúva era outra, e pasmem, o cara tem um filho de 17 anos. 

Aí a gente faz as contas rapidinho, 17 menos 6 dá 11, e aí, nem que ele quisesse o filho poderia ser da Natalie, como realmente não é. 
Jake vai embora totalmente encucado, afinal, ele foi no casamento, ele conhecia Natalie e ela não tinha filho nenhum!

Ele procura a mãe, a irmã, vai até onde eles costumavam ir comer bolinhos (hmmmm) e tomar café, e ninguém, pasmem, ninguém se lembra da Natalie, e olha que ela é um tipão inesquecível, mulherão, não tem como esquecer que se viu uma beldade daquelas, e ninguém se lembra da moça!

É como se ela não existisse, como se qualquer um que tivesse tido contato com ela tivesse a memória apagada e não se lembrasse dela. Dá um nervoso!!

A certa altura do livro, eu cheguei a acreditar que ela era uma ilusão da cabeça dele, sabe, uma válvula de escape criada pra dar uma diminuída na dor de ter perdido o pai, e por não conseguir desenvolver a escrita em um trabalho acadêmico. 

Mas Natalie é real, o problema é que a mãe e a irmã não a vêem chutem a quanto tempo? Benditos 6 anos!!

Aí aparece na história um bocado de bandido louco, gente ruim mesmo tentando matar o Jake, e um deles o Jake mata mesmo, sujeito maldoso, mercenário, morre, e Jake fica desesperado. 

Paralelo à tudo isso, temos Benedict e Shauna, amigos de Jake, que o ajudam nessa busca maluca pelo amor perdido. 

O fato é que dá desespero passar de 200 páginas e não saber se a Natalie é real, se tá viva, se tá morta, se sumiu, pq sumiu, eu estava ficando doida!!

Mas se você chegou até aqui, respire aliviado que tudo dá certo e os mocinhos se salvam. 

A gente pensa que o Jake vai morrer, mas não morre. 
A gente acha que a Natalie tá morta, mas não tá. 
A pensa que a Natalie vai embora depois que aparece, e ela vai mesmo. 
A gente pensa que o Jake vai ficar sozinho, mas não fica, no final eles ficam juntos, mudam de nome, de cidade, o que ele não muda é de profissão, continua dando aulas, sob um novo nome, em uma nova cidade, com a mulher que ama grávida de um bebê que é fruto de muito amor!

Só Harlan Coben mesmo pra fazer a gente se prender num livro dessa maneira!

Super recomendo, super vale a pena!!

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Não, não é um livro novo, não descobri a América e muito menos estou a frente de todo mundo, muito pelo contrário, esse livro foi lançado há um tempinho e foi puro frisson na época, mas estava tão assoberbada que nem pensei em comprar um pra mim. 

Paralelo ao livrinho, surgiram vários grupos com essa temática "Uma pergunta por dia", participei de alguns, mas bleeeh, achei chato ter que ficar procurando a pergunta todo dia e desisti. 

Mas como resistir a um livrinho lindo desse exposto na vitrine da livraria?

Paginação dourada, fitinha pra marcar as páginas, tudo escrito fofo, lugar pra gente preencher o nome, e a proposta de fazer um diário por 5 anos preenchendo apenas uma pergunta por dia. Não é fantástico? Dá pra levar  na bolsa e pra quem não tem paciência de fazer um diário, é uma excelente ferramenta pra se avaliar ao longo do tempo, pq como o título diz, é apenas Uma pergunta por dia!

Agora é esperar 1º e janeiro de 2017 pra começar a preencher, pq eu gosto de fazer as coisas do começo. 

Vem 2017, vem que eu tenho um monte de projetos lindos pra vc, e o livrinho de perguntas é um deles. 

Ahhh, comprei na Livraria Curitiba, mas toda livraria tem pra vender e vale a pena criar esse arquivo de recordações tão pessoal, numa era onde tudo é smartphone e computador, fazer algo que seja escrito a mão é um cuidado fofo pra se recordar ao longo dos anos!






Espero que quem passar por aqui tenha gostado da dica, e que façam esse diário tão curto e que pode dizer tanto sobre as mudanças da vida!


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Depois de muito cobiçar esse livro, e me preparar para lê-lo, eu o li, e foram as 152 páginas mais demoradas e sofridas da minha vida. 152 páginas não são nada, mas eu precisava de tempo para digerir o conteúdo, ia e voltava, parava, depois retomava e assim seguia.

De todos os livros que eu li sobre o Holocausto, sem dúvida esse foi o mais impactante, o mais visceral.



O autor, e seu irmão. 
Enquanto a maioria dos outros livros sobre o tema foram escritos após a guerra, de memórias que muitas vezes se alteram com o tempo, esse não, o autor o escreveu durante a guerra, enquanto corria risco de ser morto na Varsóvia, já que ele era um fugitivo do campo, e haviam muita pessoas dispostas a entregá-lo.

Geralmente quando lemos o relato de algum sobrevivente dos campos de concentração nazistas, eles vem de Dachau ou Auschwitz, nunca de Treblinka, isso pq Treblinka era fatalmente mortal, teve apenas 57 sobreviventes!

Existe uma tênue diferença entre Campo de Concentração e Campo de Extermínio, enquanto no primeiro os prisioneiros (judeus, ciganos, homossexuais, comunistas ...) eram forçados a realizarem trabalhos em prol de várias empresas alemãs, os campos de extermínio tinham como único objetivo, exterminar em larga escala aqueles que eram considerados perigosos para o governo nazista, principalmente os judeus (que eram tidos como um grane problema)!

Treblinka foi criado para ser um campo de extermínio perfeito, ou seja, matar em grande escala sem deixar indícios do que acontecera, ao contrário de alguns campos que tatuavam um número no braço de seus prisioneiros, em Treblinka isso não acontecia, primeiro pra não deixar vestígios e segundo, pq não daria nem tempo, já que no máximo em duas horas quem chegasse no vagão estaria morto.

E é justamente para lá, para Treblinka que o autor e sua irmã Rivke, de 19 anos, são levados.

“Os vagões tristes me carregavam para lá. Eles vêm de toda parte: do leste e do oeste, do norte e do sul. De dia e de noite, seja qual for a estação: primavera, verão, outono, inverno. Os comboios chegam lá abarrotados, incessantemente, e Treblilnka prospera mais a cada dia que passa. Quanto mais comboios chegam, mais Treblinka consegue absorvê-los.”

É assim, nessa tristeza e quase conformismo que o livro se inicia, mau sabia eu o homem forte que o livro mostraria posteriormente.


Ninguém sabia o destino do comboio, só se sabia que deviam racionar água e comida, pq o destino assim como o tempo que levariam para chegar até ele eram incertos... antes tivessem demorado mais ainda dentro do vagões e passado mais tempo com os seus!

Chega-se ao destino, mulheres e crianças para um lado, homens para o outro, todos despidos de suas roupas e dignidade, e vez ou outra um é fisgado no meio disso tudo para realizar trabalhos muito pesados dentro do campo, e é assim que Chil sobrevive a primeira de muitas fases dentro desse inferno, ele sobrevive, mas ao ser obrigado procurar coisas de valor, separando roupas de uma pilha, vê o vestido de sua irmã, que não teve tanta "sorte" como ele.


Um dos trechos que mais me emocionou, a mãe, que pede para ser tonsurada devagar, afim de esperar a filha, para que juntas, caminhem para a câmara de gás.   

É difícil resenhar um livro desse sem contar spoilers, tudo acontece muito rápido, e as coisas são escritas de forma muito crua e impactante, não há meio termo , não tem como florear as verdades de um campo de extermínio, certo trecho o autor choca ao relatar:

"Lembro-me de uma situação: dois carregadores negligenciaram as ordens e, em vez de carregarem sua maca com um grande cadáver, colocaram três criancinhas. 
O Unterscharführer ordenou-lhes que parassem, chicoteou-os violentamente e berrou: 
- Cães, por que estão carregando essas bugigangas? 
(Era assim que eles chamavam as criancinhas.) 
Os carregadores de "bugigangas" tiveram que fazer meia-volta e recolher um cadáver de adulto." 
- Capítulo 17 - página 123 -

É disso que estou falando, dessa crueldade, desse lado que ninguém cita em seus livros pós guerra, e que estava tão fresco na mente do autor. Sou mãe, de duas meninas cheias de vida, e ler isso me doeu, talvez doa mais em quem tenha filhos, e eu precisei fechar o livro, me levantar e ir fazer outra coisa depois de ler que crianças pequenas, inocentes e cheias de sonhos para uma vida, depois de mortas foram chamadas de bugigangas. Foi forte demais pra mim, compreende?

Eu não posso contar partes, mas  Chil exerceu diversas funções dentro do campo, separava roupas e procurava pertences valiosos nelas, foi tonsurdor do cabelo de diversas mulheres, foi carregador de corpos, depois foi dentista e por fim, fugiu desse inferno chamado Treblinka.

Com sinceridade, não sei como uma pessoa mantém a sanidade em um lugar desses, vendo o que viu, não é atoa que muitos se suicidaram, não é qualquer pessoa que tem fibra pra suportar tanta crueldade e não ficar lelé da cuca depois.

É um livro pequeno, mas de uma riqueza de detalhes que embrulha o estômago (sem exageros!), e pra auxiliar no processo de compreensão tem fotos e mapas pra gente se localizar e imaginar tudo com mais clareza e dar mais verdade ainda aos fatos.





Classifico o livro como 10 de 10, é bem escrito, é rico em detalhes, e promove reflexão, na segunda guerra tivemos o holocausto com judeus, ciganos, negros, mas atualmente temos holocaustos assim acontecendo em diversas partes do mundo, os refugiados sírios morrendo ao querer entrar na Europa ... então, fica a reflexão de um Holocausto moderno. Não os colocamos em câmaras de gás, mas dar as costas é tão errado quanto.

Indico um outro livro visceral e verídico, Auschwitz, o testemunho de um médico, que dessa vez é escrito do ponto de vista de um médico judeu, que trabalhou como legista em Auschwitz, relatando necropsias minuciosas e decobertas horríveis sobre a prática da "mdicina" de Hitller, e que relata como é ser prisioneiro, ter "privilégios", viver sobre o domínio do medo, mas exercendo uma função que é observada pelas altas patentes do exército.

Espero que quem o ler não seja tão impressionável como eu sou, o livro martelou e me martela todos os dias quando vejo sua lombada na estante.
_________________________________________________________________________________

Precisei de alguma coisa que fizesse peso sobre as páginas do livro, imediatamente recorri à minha caixinha de jóias e retirei esse relógio de corda, que tem mais de 100 anos, e foi trazido da Alemanha pelo meu bisavô, é uma das poucas lembranças que minha avó me deixou, ela contava com muito orgulho, que os pais vieram da Alemanha em um navio muito precário, se conheceram durante a viagem e casaram lá mesmo, por volta de mil oitocentos e qualquer coisa (se minha avó etivesse viva, teria 95 anos!).
E é muito gostoso ter coisinhas pequenininhas assim, antigas, mas carregadas de significado, que aquecem o coração. 

Pra muita gente é só um relógio velho, de bolso, mas pra mim, o tic tac, ao dar corda e coloca-lo debaixo do meu travesseiro, foi o que me colocou perto e vovó após sua partida, e acalmou meu coração muitas vezes. 


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Uma das coisas que sempre gostei nessa vida, desde pequena, é ler.

Com a maternidade e a demanda da Amor de Papel, reduzi muito meu ritmo literário, e não consigo mais acompanhar os lançamentos de livros.

Se por alguns anos, consegui a proeza de ler cerca de um livro por semana, hoje male má leio um livro por mês, mas me dou ao direito de fantasiar e me envolver nas histórias que escolho. Hoje, por uma questão de prioridades, escolho ler o que realmente me atrai, tenho vários livros na minha wishlist, posso demorar um bom tempo pra finalizar a leitura (quem tem filhos sabe como é difícil conciliar filhos e leitura!), mas finalizo.

E mais que ler, sempre gostei de deixar tudo marcadinho, arquivado sobre o que achei da leitura, como livro me emocionou, se eu realmente gostei ... e como aqui é meu cantinho da alegria, vai ser aqui que vou escrever sobre eles, então leitores que possam passar por aqui, vai ter livro sim, mas nada que comprometa o blog, afinal de contas, o intuito do blog é mostrar meus trabalhos e interagir com o universo já que eu tenho essa necessidade toda de escrever e falar, falar e falar pelos cotovelos, e pelos dedos, neh?
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Em 2013 eu criei a Encantatto, e a partir daí, tudo começou a mudar!
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